Shakespeare uma vez escreveu “Os sentimentos dos homens são como a maré”. Ele devia estar falando sobre o League of Legends ao invés de Julio Cesar porque isto define perfeitamente como o meta muda o poder de estrutura da cena competitiva. Os times sobem e descem baseados em o que é forte no momento, e apenas o verdadeiramente versátil pode sobreviver às mudanças.
Nós temos visto muitos times levando surras devido à mudança
do metagame ou mudanças estéticas ou em questão de conhecimento de campeões.
Enquanto os jogos maçantes e lentos estavam a todo vapor na segunda temporada,
a Evil Geniuses era rei. A Curse dominou o começo da terceira temporada apostando
em agressivos junglers bruisers. Agora, campeões que utilizam efetivamente a
Manamune estão dominando. Vamos dar uma olhada como o meta mudou e como o leque
de campeões afeta o jogo e o que os times podem fazer para tentar sobreviver a
esta mudança de maré.
O Pool de Campeões.
Todos nós queremos pensar que somos muito mais versáteis do
que realmente somos no jogo, mas ate mesmo a maioria dos jogadores
profissionais tem um leque de campeões muito limitados em um dado patch e isto
dificulta a vida deles e dos próprios times. Em qualquer novo patch, entre 2 e
4 campeões são extremamente fortes, e se ninguém no seu time joga com eles, dificulta
bastante sua vida na fase de picks e bans. Neste momento, times que não tem
habilidades pra jogar de Jayce, Zac e Twisted Fate permitem que outros times
foquem em banir este nicho de campeões. É fácil entender o porquê que um campeão
como Janna voltou com tudo graças a este novo estilo de hard engage e times
baseados em dano em área.
Demos tanta importância a fases de picks e bans por tanto
tempo que muitos jogos são decididos antes que qualquer pessoa possa pisar um
pé em Summoners Rift. Veja a Curse, eles estão 3-9 desde a saída de Elementz e
continuam procurando por respostas. StVicious era extremamente forte com seu
Jarvan e Xin Zhao no começo da temporada quando esses campeões eram OP, mas
depois de seus nerfs, eles impactaram diretamente no declínio do seu jogo. Seu
Nautilus promete, mas ele quase nunca consegue pegar campeões como Nasus ou Zac
para trabalhar bem em equipe. Voyboy vai pelo mesmo caminho e tem sofrido
bastante com os nerfs de Elise e Akali (sem mencionar que vários Top Laners da
America do Norte melhoraram bastante). Por qualquer que seja a razão, ele não tem
mostrado habilidade para jogar de Jayce, Kha’Zix ou Zed a um alto nível competitivo
e estes campeões parecem que se encaixam nele.
Isto não quer dizer que o único problema da Curse seja que eles
não conseguem jogar com certos campeões, mas estes problemas começaram a causar
outros. Temos que encarar os fatos, e o fato é que certos campeões são muito
melhores que outros em certos patchs. Escolher certo campeão já coloca você em
relativa desvantagem em níveis de poder e precisa confiar que você vai jogar
muito melhor que o seu oponente quando os níveis de habilidade estão mais próximos
que nunca. Jogadores e times não são mais capazes de simplesmente superar seus
oponentes e um pequeno detalhe se torna muito grande e um grande negocio.
A CLG vem sofrendo do mesmo problema a muito tempo. A fase
de picks e bans deles é conhecida por deixar as coisas abertas e isto continua
a prejudicá-los porque eles acreditam que podem simplesmente superar seus
oponentes quando isto nem sempre é o caso. O leque de campeões de Hotshot se
tornou mais e mais desatualizado enquanto o tempo passava, e ele se colocou em
desvantagem por não ser capaz de jogar com mais campeões. Não foi apenas com o
Hotshot, Doublelift basicamente jogava apenas com Vayne, Caitlyn e Ezreal no
começo da temporada com um pouco de Urgot aqui ou ali. Seu único hypercarry
(Vayne) é o mais fácil de desabilitar, mas agora ele adicionou Tristana ao seu
repertorio e isto fez a CLG muito mais perigosa.
Mudanças no Estilo
Estilo significa tudo, ou então as revistas de moda não nos
fariam acreditar nisto. Jogadores e times parecidos geralmente gostam de jogar
de certa forma. CLG e Vulcun preferem jogos longos. Curse gosta de ser
agressiva e ganhar o jogo no começo. TSM força torres e objetivos. Gambit vêem herói
e matam o herói. O estilo de um time muda e se adapta, mas eles raramente são capazes
de mudar demais o que os faz muito bons em primeiro lugar. Desde que o jogo esta sempre mudando e campeões
e itens constantemente sendo modificados, se torna fácil de perceber o porquê
que o desempenho dos times difere tanto.
Praticar é o longo caminho para melhorar um time, mas pode
acontecer de um patch buffar o melhor campeão de alguém e nerfar algo que eles não
jogam. Times que amam apostar em composições de poke ou split push amam quando
os iniciadores são nerfados ou os desengages são buffados. Vejamos a Cloud9,
primeiro lugar na LCS NA. Eles fazem o melhor para copiar os Coreanos, ou ao
menos dizem isso. Os times Coreanos sempre amaram apostar em composições de
dano em área, e é por isto que Kennen com Zac e ainda uma Sona ou Lulu e tudo
de súbito que possa desabilitar os oponentes em uma teamfight.
Os times perceberam que esta é uma forma muito forte de se
jogar, e Meteos apenas encaixa como o melhor Zac e a Cloud 9 começa a colecionar
vitorias. Nenhum outro campeão que não Nocturne pode iniciar lutas de tão longe
quanto Zac, e o CC de Zac é muito forte enquanto você não deixar o mundo
inteiro perceber que você vai iniciar uma luta. Zac facilita o resto da composição
de dano em área iniciando uma luta e mantendo o povo desabilitado enquanto mais
dano em área vem e destrói todo o time inimigo. Isto não é tudo que nos temos
visto nesta temporada. Composições de poke estão sempre na moda, e o split push
do Tryndamere tem mostrado resultados incríveis em pequenas porções.
O que tudo isto quer dizer? Quer dizer que os times precisam
trabalhar na composição que eles são melhores pra começar, e jogar os campeões que
são fortes em suas habilidades ao mesmo tempo. Os times precisa também ampliar
seu leque de campeões, ou se seus jogadores não jogam com certos campeões,
aprenda a composição que você sabe que vence seu inimigo e coloque em pratica. Se
você conhece um time que joga com composições de dano em área, jogue com um
time de split push e desengage pesado com algo como Janna e Trundle enquanto negue
a eles coisas como Shen e Malphite. Se os jogadores continuarem a limitar a si
mesmos em termos de leque de campeões os times precisarão escolher e banir
muito mais sabiamente.
E então Runeterranos? O que vocês acham? Será que realmente
um patch afeta o desempenho dos jogadores profissionais?
Original: RoG
Tradução e Adaptação: Andre "Nientoshy" Machado
Patchs afetam e muito o competitivo, cada atualização lançada tem uma mudança significativa aos profissionais.
ResponderExcluirTaric era um dos melhores suportes para jogar em SoloQ e campeonatos, era sempre pickado. Em casos raros, até banido. Depois de um patch lançado a meses atrás, o campeão literalmente sumiu.
Aconteceu o mesmo com Kha Zix nessa última atualização, dificilmente estamos vendo a barata "ex-OP" em campeonatos.
E patchs afetam até campeões que não sofreram mudanças diretamente. Miss Fortune é o caso atual. Antes víamos ela como uma ótima campeã, ultimate em área ótima diversas composições de times. Ela ainda é uma ótima AdCarry, mas as atuais mudanças afetaram o desempenho dos times em que ela se encaixaria melhor do que outras.
Riot faz um trabalho fantástico com as atualizações, e querendo ou não, ajuda os jogadores profissionais. Por quê? Obrigando-os a expandir seus conhecimentos e se adaptando as mudanças ocorridas para continuar seu desempenho.
Exemplos de times brasileiros que se adaptam às mudanças, são os 3 grandes, ambos procuram sempre se atualizar, seja estudando LoL ou observando times orientais.
Agora um exemplo de time brasileiro que não se atualiza, é a AceZone, que poderia muito bem ser a 4ª melhor equipe brasileira (jogando de igual pra igual com as outras 3 equipes) se procurasse expandir seu leque de composições, é um time ótimo, possui jogadores com mecânicas de jogo fantásticas, mas só possui UM único objetivo de jogo. Late Game. Algo que hoje, é difícil alcançar em uma partida, e facilmente counterada, a equipe levando uma surra no early e mid game, e não consegue escalar pro late como deveria.